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quarta-feira, 16 de abril de 2008

3 Séculos...

"Ao longo de três séculos, o destino português da baía
de Lourenço Marques debatera-se entre descobrimento
e esquecimento, conquista e abandono, esforço e
descuido — uma «curva» bem portuguesa... Agora,
esse destino fixava-se — e há no facto certa ironia,
pois nunca antes as circunstâncias tinham parecido
menos propícias e menos capazes: a extrema penúria do
Estado moçambicano, a diminuta guarnição, sem
governador, envergonhada perante os indígenas da sua
pobreza, inerme e isolada aquém de um mar dominado
por inimigos, naquele postozito provisório das praias
do Tembe.
Esta ironia desarma a crítica e não deixa que se retire
desta história uma lição, uma moralidade — se é que
das histórias da História se pode, alguma vez, tirar
alguma.
Nesta revista de três séculos vimos perpassar o génio
português, carregado de todos os seus defeitos e de
todas as suas virtudes: imprevidências e desleixos,
superados por sacrifícios e improvisações audazes e
industriosas; apatias e cansaços, resgatados por
assomos perdulários de determinação e energia...
Inútil admoestar, inútil preleccionar sobre os de-
feitos— inútil querer exorcismar esses demónios...
Nunca poderemos expulsá-los de nós! E o que importa,
verdadeiramente, não é que eles continuem em nós
como estavam nos homens que nos deram esta história.
O que importa é que nos mantenhamos, como esses
homens, capazes das mesmas superações e dos mesmos
resgates.
Assim Deus nos ajude."

Texto de Alberto Lobato, do Livro a Fundação de Lourenço Marques 1782-1800